Cantores fazem apelo por união no forró

Não é novidade mais pra ninguém que o forró, além de ser conhecido por grandes sucessos e artistas, está sendo marcado também como um ritmo que inspira intrigas, desentendimentos e conflitos, muitos conflitos. Os exemplos são vários. É grupo musical processando o outro por uso indevido de música, é cantor fazendo uso do palco e até da internet  para alfinetar colegas e por aí vai. O Forró Dicumforça teve a oportunidade de repercutir no último fim de semana o assunto com os integrantes de um projeto que prega não só a volta aos sucessos do passado, como também a amizade nos palcos e, principalmente, fora dele. Estamos falando do Forró das Antigas das bandas Magníficos, Mastruz com Leite e Limão com Mel . A reportagem do Forró Dicumforça conversou com a maioria dos vocalistas das três bandas que são unânimes: está na hora do forró colocar as “brigas” de lado e dar espaço para a humildade e o companheirismo. Para Batista Lima, líder da Limão com Mel, o Forró das Antigas não é algo apenas para atrair público e ganhar dinheiro, é um encontro para incentivar outras bandas a se unirem e subirem no mesmo palco. Se você ver, nos outros ritmos como o funk, o pagode, o samba, o rock, há vários eventos aonde todos eles se reúnem. Isso é uma coisa linda de se ver. Isso gera respeito não só para os fãs, mas para a própria mídia do sul e sudeste. Ela percebe que aquilo tem força. O forró tem força no Nordeste, mas perde a cada dia que passa sua força no sudeste, centro-oeste e sul do país”, diz Batista. Segundo ele, as bandas que se preocupam com a qualidade musical terminam sendo atrapalhadas por aquelas que, a todo custo, querem mostrar seu trabalho. “Programas que divulgavam o forró não existem mais. O Gilberto Barros voltou agora. Mas isso não depende só dele, depende muito também dos produtores. Quando eles percebem que tem um movimento legal, sério, vem outras bandas e destroem o que a gente faz. As grandes bandas que se preocupam com a qualidade musical, com o CD, com o fã, qualidade visual, faz um mega show, aí vem uma banda e destroi o que muitos grupos fizeram.Todo reino dividido entre si será destruído, diz a bíblia”, ressalta o cantor.


Sobre as músicas, Batista acredita que não há necessidade de cair o nível das letras. “Quanto as músicas de duplo sentido eu não falo de banda alguma, falo da música. O ritmo é bom, é gostoso de se dançar, mas não temos a necessidade de cada vez cair o nível. Olha o que aconteceu com o funk. A própria Globo critica hoje. A gente não queria que acontecesse isso com o forró. Desde Luiz Gonzaga que a gente luta para tirar o Nordeste deste estigma que não tem cultura. Graças a Deus muito disso foi destruído. Hoje a gente faz DVDs e shows de primeiro mundo”, destaca. Para a vocalista Samya, o forró poderia ser muito mais unido. “A gente vê umas bandas querendo derrubar as outras, isso atrapalha. Ninguém está aqui a toa. As bandas deveriam se unir mais, o exemplo é Mastruz, Magníficos e Limão. Em 12 anos de carreira eu já vi muitas bandas nascerem e acabarem rapidamente, outras deram muito certo. Eu desejo que um dia nosso forró seja mais unido. Graças a Deus com a gente não existe nisso. A gente poderia ser muito mais forte”, opina a vocalista da Magníficos. De acordo com Juarez, também da Magníficos, brigas significam atraso. “São piadas nas redes sociais e até no palco. Perde até um pouco a educação você criticar um companheiro seu no palco, que faz a mesma coisa que você. Isso aí está atrasando a gente: essa mentalidade pequena de alguns, até mesmo no meio empresarial. A galera precisa abrir um pouco mais a mente pra isso. Olhar para si próprio e trabalhar com humildade, união e respeito, não só em sua banda, como nas outras. Graças a Deus eu não passei por isso ainda. Vamos trabalhar em comunidade, que faz bem”, afirma.
Livia Mara cita exemplos de união vindos do axé. “A gente poderia estar como o axé. Todo mundo ajuda todo mundo lá. Ivete dá força pra todo mundo. Já no forró tem essa briga. Não com Limão, Mastruz e Magníficos, por isso que deu certo. As três são uma banda só. Deveria ser assim com todas as bandas. A gente levar o amigos pro palco, chamar pra cantar com a gente. Brigar pra que, se isso é tão passageiro? O bom da vida é a amizade. Tudo poderia ser diferente”, diz a cantora do Mastruz. Referência no forró, Neto Leite, do Mastruz, também cita outro exemplo de união na música, os sertanejos. “Eles participam do DVD um do outro, do CD um do outro. Na televisão fala um do outro. No forró, não. Aqui tem uma certa desigualdade. Os donos de bandas e os cantores visam mais status e dinheiro. Não se tem humanidade total na coisa. É alguém querendo puxar o tapete um do outro. Não me refiro a todos, não vou generalizar. Isso parte de algumas bandas de forró. Mas tem muita gente boa no forró. Muita gente honesta. Muita gente amiga. A gente encontra muitos assim na estrada, muita amizade sincera por ai”, conta. Outra referência no forró que prega a união do ritmo é Walkyria Santos. Ela, que dispensa comentários, acredita que mais iniciativas como o Forró das Antigas ajudaria na tão sonhada “paz”. “Se as bandas de forró fossem como as do sertanejo, a galera da Bahia, se tivesse mais iniciativas desse tipo [Forró das Antigas], eu acho que o forró seria bem melhor. Está uma bagunça geral e a gente vai sobrevivendo nessa bagunça. Vamos caminhando até onde der”, finaliza.

Cantores fazem apelo por união no forró Cantores fazem apelo por união no forró Reviewed by Dunas Webtv on 18:26 Rating: 5

Nenhum comentário